Páginas

sábado, 28 de abril de 2012

Dificuldades no Casamento


As Escrituras nos ensinam que um casamento abençoado começam quando o casal busca o enchimento do Espírito Santo, Ef5.18, o que restaura a comunhão, o diálogo a partir do perdão e da reconciliação advindos da sujeição ao Senhor.




 
Ao comparar estatísticas sobre divórcios em diferentes países do mundo, vemos que existem momentos em que ocorre um maior número de separações. A grande concentração de separações ocorrem no 1º ano de casamento, no 7º, no 15º e no 25º. Esses picos demarcam fases bem distintas, de engarrafamento e estrangulamento na estrada da vida. No Brasil, dados estatísticos do IBGE vêm também indicando um grande número de separações entre o terceiro e o quinto ano de vida a dois.  
O Primeiro Ano - Certos casamentos passam por períodos muito difíceis no início. Pode acontecer um trauma logo de saída: uma perda de emprego, uma doença grave, morte na família, o sogro ou a sogra viúvos que vêm morar com o jovem casal, gerando uma série de atritos e conflitos. São situações dramáticas que estão acima das forças e recursos das pessoas para enfrentá-las. O casamento, então, se desfaz. Outras vezes, o casamento acaba rapidamente por falta de maturidade de um ou dos dois. Com os movimentos de liberação da mulher e sua entrada no mercado de trabalho, as tarefas domésticas foram sendo consideradas menores, coisas de pouca importância. Esse tipo de visão, no início do casamento, pode criar sucessivas crises e frustrações, seja pela incompetência ou despreparo do outro, seja pela falta de solidariedade e companheirismo na divisão do trabalho. As questões profissionais também interferem. Se as pessoas ganham muito pouco e não podem pagar as despesas essenciais, certamente acumularão frustrações que podem gerar brigas e excesso de raiva ("você não ganha nem para pagar a conta da luz"). A falta de maturidade de um ou dos dois para lidar com situações como essa acaba desestruturando o casamento.
Muitas vezes, nessa fase, o casal conta com a ajuda da família para enfrentar as dificuldades do começo da vida a dois. Este apoio pode dar condições para que o jovem casal desenvolva seus próprios recursos e consiga se entender, superando os problemas do início do casamento. Outras vezes, a família acaba por atrapalhar, interferindo de tal maneira que os dois não têm espaço e oportunidade para ir acertando suas diferenças e desenvolvendo sua própria maneira de viver.  
O Sétimo Ano - Ao longo de sete anos de convivência, o casal vai acumulando mágoas por pequenas e grandes expectativas às quais o outro não correspondeu. Os dois vão engolindo sapos com Ketchup, lagartixas com maionese e cobras e lagartos com mostarda. Mas quando o casamento chega perto do sétimo ano, essas mágoas escondidas costumam explodir - ou implodir. É quando você não agüenta mais, porque reprimiu sua raiva e suas incontáveis desilusões ou porque isso provocou um número infinito de brigas que foram corroendo o amor. É um atrito constante, conflitos em cima de conflitos que vão se avolumando e, por efeito acumulativo, acabam provocando um estouro. E nessa explosão, o casamento pode ir para o espaço. A ruptura pode ser tão grande que não é possível - ou não se quer - continuar juntos. O triste dessa situação é constatar que as pessoas não aprenderam a brigar.
Eu descobri que, mal ou bem, todo mundo vai aprendendo a amar. Mas dificilmente alguém aprende a brigar, a negociar as diferenças, os conflitos. Como isso é uma grande dificuldade, vamos escondendo a sujeira embaixo do tapete. Até que há um transbordamento. Mas em algum momento será preciso juntar os pedaços, ver o que sobrou de um, do outro e da relação. É uma oportunidade de reavaliar o que se fez de errado, o que ainda pode ser transformado e se é possível ainda seguir juntos na vida. É uma crise intensa, dolorosa, mas pode significar o início de um novo ciclo do casamento, construído em outras bases.  
O Décimo Quinto Ano - Em torno do 15° ano de casamento, as pessoas começam a se questionar, relembrar os sonhos da juventude que não foram realizados e a pensar seriamente se vale a pena continuar investindo no outro e no relacionamento. Esse período de questionamento e redefinição é fundamental. Nesse momento da vida, em geral com os filhos um pouco maiores, passamos por uma profunda crise de identidade. Perguntamo-nos mais uma vez quem sou eu, o que estou querendo da vida e o que estou fazendo com ela. Muitos vão procurar ajuda para poderem fazer um balanço de tudo o que aconteceu, do que se estragou, do que se perdeu, do que pode ser reconstruído ou resgatado. É uma hora de redefinição do futuro e da possibilidade de continuar com o companheiro nessa caminhada.  
O Vigésimo Quinto Ano - Em geral, a gente casa entre 20, 25 anos e essa crise vai nos pegar na virada dos 45, 50 anos. É a crise da meia-idade. Ela pode levar a um reencontro e uma reintegração do vínculo. Mas pode também conduzir à acomodação ("ruim com ele, pior sem ele"), quando os dois não vêem outra alternativa para suas vidas. Se o casal enreda nas frustrações e se acomoda, o que passa a manter a relação não é mais o cuidado com o outro, a proteção mútua, mas uma espécie de energia negativa. É a raiva que mantém os dois juntos, não o amor. O comportamento é mais ou menos assim: você me agrediu hoje cedo, antes de sair para o trabalho. Eu me senti atacada. Passei o dia inteiro cozinhando aquela raiva em fogo lento. No dia seguinte, dou o troco, com juros e correção. E essa situação tende a se repetir ad infinitum. Se as pessoas, ao longo de 25 anos de vida em comum, não administram seus conflitos nem enfrentam as crises, eles se tornam permanentes. E o vínculo muda de cara, passa a se assentar nessas história de ressentimentos. Então, o casal fica junto apenas para manter as aparências, fazendo uma encenação para os outros. Vive representando para si e para o mundo. Em alguns casos, os dois viram uma espécie de mortos-vivos. Em inglês, há uma expressão muito boa para definir essas pessoas: são os Walking deads, mortos que caminham. O mundo está cheio de walking deads, pessoas que já morreram, mas continuam caminhando pela vida.
A maior parte das pessoas morre aos 50, mas só é enterrada aos 70. Elas vegetam: acordam porque têm que acordar, trabalham porque têm que trabalhar, mas não vivem. Elas deixaram de sonhar e acreditar na vida. Para resolver essas crises, é preciso aprender a negociar os conflitos desde sempre. Não podemos encarar as crises que acontecem em nossa vida e no casamento como situações fixas, imutáveis. Não devemos assinar uma sentença de morte do relacionamento aos 7, aos 15 ou aos 25 anos de vida em comum. Não existem deadline, prazos-limite na convivência a dois. Não podemos traçar linhas de morte nem ficar impotentes diante dos problemas. A negociação dos conflitos é a única solução realmente satisfatória para que possamos reciclar, a cada momento e diante de cada problema, o relacionamento a dois.

 (Extraído do Livro " AMAR É PRECISO" , Maria Helena Matarazzo)

Nenhum comentário:

Postar um comentário