Dificuldades no Casamento
As Escrituras nos ensinam que um casamento abençoado começam quando o
casal busca o enchimento do Espírito Santo, Ef5.18, o que restaura a
comunhão, o diálogo a partir do perdão e da reconciliação advindos da
sujeição ao Senhor.
Ao comparar estatísticas
sobre divórcios em diferentes países
do mundo, vemos que existem momentos em que ocorre
um maior número de separações.
A grande concentração
de separações ocorrem no 1º ano
de casamento, no 7º, no 15º e no 25º.
Esses picos demarcam fases bem distintas, de engarrafamento
e estrangulamento na estrada da vida. No Brasil, dados
estatísticos do IBGE vêm também
indicando um grande número de separações
entre o terceiro e o quinto ano de vida a dois.
O
Primeiro Ano - Certos casamentos passam por
períodos muito difíceis no início.
Pode acontecer um trauma logo de saída: uma
perda de emprego, uma doença grave, morte na
família, o sogro ou a sogra viúvos que
vêm morar com o jovem casal, gerando uma série
de atritos e conflitos. São situações
dramáticas que estão acima das forças
e recursos das pessoas para enfrentá-las. O
casamento, então, se desfaz. Outras vezes,
o casamento acaba rapidamente por falta de maturidade
de um ou dos dois. Com os movimentos de liberação
da mulher e sua entrada no mercado de trabalho, as
tarefas domésticas foram sendo consideradas
menores, coisas de pouca importância. Esse tipo
de visão, no início do casamento, pode
criar sucessivas crises e frustrações,
seja pela incompetência ou despreparo do outro,
seja pela falta de solidariedade e companheirismo
na divisão do trabalho. As questões
profissionais também interferem. Se as pessoas
ganham muito pouco e não podem pagar as despesas
essenciais, certamente acumularão frustrações
que podem gerar brigas e excesso de raiva ("você
não ganha nem para pagar a conta da luz").
A falta de maturidade de um ou dos dois para lidar
com situações como essa acaba desestruturando
o casamento.
Muitas vezes, nessa fase, o casal conta com a ajuda
da família para enfrentar as dificuldades do
começo da vida a dois. Este apoio pode dar
condições para que o jovem casal desenvolva
seus próprios recursos e consiga se entender,
superando os problemas do início do casamento.
Outras vezes, a família acaba por atrapalhar,
interferindo de tal maneira que os dois não
têm espaço e oportunidade para ir acertando
suas diferenças e desenvolvendo sua própria
maneira de viver.
O Sétimo
Ano - Ao longo de sete anos de convivência,
o casal vai acumulando mágoas por pequenas
e grandes expectativas às quais o outro não
correspondeu. Os dois vão engolindo sapos com
Ketchup, lagartixas com maionese e cobras e lagartos
com mostarda. Mas quando o casamento chega perto do
sétimo ano, essas mágoas escondidas
costumam explodir - ou implodir. É quando você
não agüenta mais, porque reprimiu sua
raiva e suas incontáveis desilusões
ou porque isso provocou um número infinito
de brigas que foram corroendo o amor. É um
atrito constante, conflitos em cima de conflitos que
vão se avolumando e, por efeito acumulativo,
acabam provocando um estouro. E nessa explosão,
o casamento pode ir para o espaço. A ruptura
pode ser tão grande que não é
possível - ou não se quer - continuar
juntos. O triste dessa situação é
constatar que as pessoas não aprenderam a brigar.
Eu descobri que, mal ou bem, todo mundo vai aprendendo
a amar. Mas dificilmente alguém aprende a brigar,
a negociar as diferenças, os conflitos. Como
isso é uma grande dificuldade, vamos escondendo
a sujeira embaixo do tapete. Até que há
um transbordamento. Mas em algum momento será
preciso juntar os pedaços, ver o que sobrou
de um, do outro e da relação. É
uma oportunidade de reavaliar o que se fez de errado,
o que ainda pode ser transformado e se é possível
ainda seguir juntos na vida. É uma crise intensa,
dolorosa, mas pode significar o início de um
novo ciclo do casamento, construído em outras
bases.
O Décimo
Quinto Ano - Em torno do 15° ano de casamento,
as pessoas começam a se questionar, relembrar
os sonhos da juventude que não foram realizados
e a pensar seriamente se vale a pena continuar investindo
no outro e no relacionamento. Esse período
de questionamento e redefinição é
fundamental. Nesse momento da vida, em geral com os
filhos um pouco maiores, passamos por uma profunda
crise de identidade. Perguntamo-nos mais uma vez quem
sou eu, o que estou querendo da vida e o que estou
fazendo com ela. Muitos vão procurar ajuda
para poderem fazer um balanço de tudo o que
aconteceu, do que se estragou, do que se perdeu, do
que pode ser reconstruído ou resgatado. É
uma hora de redefinição do futuro e
da possibilidade de continuar com o companheiro nessa
caminhada.
O Vigésimo
Quinto Ano - Em geral, a gente casa entre 20,
25 anos e essa crise vai nos pegar na virada dos 45,
50 anos. É a crise da meia-idade. Ela pode
levar a um reencontro e uma reintegração
do vínculo. Mas pode também conduzir
à acomodação ("ruim
com ele, pior sem ele"), quando os dois
não vêem outra alternativa para suas
vidas. Se o casal enreda nas frustrações
e se acomoda, o que passa a manter a relação
não é mais o cuidado com o outro, a
proteção mútua, mas uma espécie
de energia negativa. É a raiva que mantém
os dois juntos, não o amor. O comportamento
é mais ou menos assim: você me agrediu
hoje cedo, antes de sair para o trabalho. Eu me senti
atacada. Passei o dia inteiro cozinhando aquela raiva
em fogo lento. No dia seguinte, dou o troco, com juros
e correção. E essa situação
tende a se repetir ad infinitum.
Se as pessoas, ao longo de 25 anos de vida em comum,
não administram seus conflitos nem enfrentam
as crises, eles se tornam permanentes. E o vínculo
muda de cara, passa a se assentar nessas história
de ressentimentos. Então, o casal fica junto
apenas para manter as aparências, fazendo uma
encenação para os outros. Vive representando
para si e para o mundo. Em alguns casos, os dois viram
uma espécie de mortos-vivos. Em inglês,
há uma expressão muito boa para definir
essas pessoas: são os Walking
deads, mortos que caminham. O mundo está
cheio de walking deads,
pessoas que já morreram, mas continuam caminhando
pela vida.
A maior parte das pessoas morre aos 50, mas só
é enterrada aos 70. Elas vegetam: acordam porque
têm que acordar, trabalham porque têm
que trabalhar, mas não vivem. Elas deixaram
de sonhar e acreditar na vida. Para resolver essas
crises, é preciso aprender a negociar os conflitos
desde sempre. Não podemos encarar as crises
que acontecem em nossa vida e no casamento como situações
fixas, imutáveis. Não devemos assinar
uma sentença de morte do relacionamento aos
7, aos 15 ou aos 25 anos de vida em comum. Não
existem deadline, prazos-limite
na convivência a dois. Não podemos traçar
linhas de morte nem ficar impotentes diante dos problemas.
A negociação dos conflitos é
a única solução realmente satisfatória
para que possamos reciclar, a cada momento e diante
de cada problema, o relacionamento a dois.
(Extraído
do Livro " AMAR É PRECISO" , Maria
Helena Matarazzo)